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€2,75 bilhões em exportações agrícolas da África Oriental em risco, já que apenas 15% atendem aos requisitos de rastreabilidade

  • A agricultura continua sendo a espinha dorsal da economia da África Oriental, contribuindo com mais de 32% do PIB regional e empregando mais de 80% da população (East African Community, s.d.). A União Europeia absorve mais de 60% das exportações de café da Comunidade da África Oriental (SEI, 2024). Com a entrada em vigor do Regulamento da UE sobre Desmatamento (EUDR) e da Diretiva de Devida Diligência em Sustentabilidade Corporativa (CSDDD), mais de €2,75 bilhões em valor comercial estão em risco caso persistam lacunas de conformidade (Relatório da Indústria Dinamarquesa, 2024).

  • No entanto, o nível de conscientização e preparação ainda é criticamente baixo: apenas 15% das empresas do agronegócio compreendem plenamente as regulamentações que estão por vir, e a maioria das cadeias de suprimento ainda opera com grandes falhas de rastreabilidade — dados fragmentados, cobertura limitada de geolocalização e registros de produtores inconsistentes.

  • Durante o webinar Beyond Traceability Talks Vol. 4, especialistas da aBi, Café Africa e Koltiva destacaram que a verdadeira ameaça ao acesso da África Oriental aos mercados não é o custo, mas a demora em agir para fechar essas lacunas de rastreabilidade e devida diligência.


Suíça, 30 de dezembro de 2025 – €2,75 bilhões em receitas de exportação estão agora em risco para a África Oriental, à medida que os mercados globais reforçam a fiscalização das regras de rastreabilidade e devida diligência. Os exportadores agrícolas da região estão sendo pressionados a comprovar exatamente onde e como suas commodities são produzidas, em um contexto em que apenas 15% das empresas do agronegócio conhecem os novos requisitos, segundo o Relatório da Indústria Dinamarquesa de 2024. Com a maioria dos produtores ainda operando sem sistemas digitais de rastreabilidade, a ameaça de perder acesso a mercados de alto valor torna-se cada vez mais real.


A agricultura continua sendo a espinha dorsal da economia da África Oriental, contribuindo com 32% do PIB e empregando mais de 80% da população. No entanto, as exportações de café, cacau, chá, cereais, horticultura, oleaginosas, borracha e madeira enfrentam agora um nível sem precedentes de escrutínio por parte da União Europeia, um dos compradores mais influentes da região, abrangendo Uganda, Quênia, Tanzânia, Etiópia, Ruanda e Burundi.


East African coffee farmer working to support traceable supply chains - Koltiva.com

A urgência se intensificou com a aplicação, pela União Europeia, do Regulamento da UE sobre Desmatamento (EUDR) e da Diretiva de Devida Diligência em Sustentabilidade Corporativa (CSDDD), ambos exigindo comprovação verificável de origem legal, evidências de ausência de desmatamento e transparência de ponta a ponta na cadeia de suprimentos. Essas regulamentações abrangem múltiplos setores, aplicando-se não apenas a commodities de alto risco, mas a quase todas as exportações ligadas à agricultura destinadas a empresas europeias. Embora esses padrões busquem acelerar a sustentabilidade global, eles evidenciaram uma lacuna crescente de preparação na África Oriental. O relatório mostra que 65% das empresas precisam de orientações mais claras, 57% necessitam de estruturas práticas de conformidade e 52% não têm acesso às ferramentas digitais necessárias para atender a essas novas exigências (Relatório da Indústria Dinamarquesa, 2024). As implicações já são visíveis: o The Guardian (2024) informou que a incerteza em torno da conformidade levou alguns compradores da UE a reduzir ou desacelerar compras de fornecedores da África Oriental, especialmente onde cadeias dominadas por pequenos produtores dificultam a verificação da rastreabilidade.


Em toda a região, o debate sobre conformidade se ampliou para uma discussão mais ampla sobre rastreabilidade digital. Muitas empresas ainda veem a rastreabilidade como um custo elevado, embora o risco maior seja perder acesso a mercados premium que agora exigem legalidade verificada e abastecimento livre de desmatamento. A adoção, porém, permanece lenta, limitada por baixa alfabetização digital, acesso restrito a smartphones, conectividade fraca, sistemas fragmentados e preocupações com privacidade de dados.


Falando no webinar Beyond Traceability Talks, organizado pela KOLTIVA, uma empresa suíça de AgriTech, Susan Atyang, Gerente Regional de Programas da Agricultural Business Initiative (aBi), destacou que o argumento de negócios é claro: “A rastreabilidade viabiliza competitividade, acesso a mercados e inclusão financeira.” Para garantir que os investimentos digitais gerem impacto, a aBi avalia a prontidão organizacional — como contas auditadas, ROI claro, capacidade de co-investimento, alcance junto aos produtores e sistemas de conformidade — antes de apoiar a implementação. Esses critérios refletem uma realidade mais ampla do setor: a rastreabilidade deixou de ser um complemento técnico e passou a ser o requisito mínimo para manter a relevância nos mercados agrícolas europeus cada vez mais rigorosos.


BeyondTraceability Talks Vol 4 for East Africa market - Koltiva.com

Equívocos também persistem em torno da complexidade das ferramentas digitais para pequenos produtores. Waithera Muriithi, Líder de Estratégia e Inovação da Café Africa Uganda, contestou diretamente essa suposição: “Não é possível alcançar rastreabilidade sem o empoderamento dos agricultores. O verdadeiro desafio não é a capacidade, é a conscientização. Quando os agricultores entendem os benefícios, a adoção se acelera.” A Café Africa lidera esforços de coordenação nacional, incluindo forças-tarefa do EUDR e o desenvolvimento de um repositório nacional de dados para ajudar a simplificar a conformidade em nível país.


Apesar desses avanços, a África Oriental ainda enfrenta grandes obstáculos para atender aos padrões globais emergentes de rastreabilidade. Mais de 75% da agricultura na Etiópia, Quênia, Tanzânia e Uganda depende de pequenos produtores, muitos dos quais não possuem documentação formal da terra exigida para a verificação de geolocalização. Cadeias de suprimento altamente fragmentadas, com múltiplos intermediários, dificultam a manutenção de dados consistentes do campo ao exportador. As lacunas de conectividade agravam o cenário: a penetração da internet na região é de 28,5%, muito abaixo da média global de 67,9% (Statista, 2025). E, com 80% dos pequenos produtores vivendo abaixo da linha da pobreza (Regeneration & Co, 2025), impor o custo total da conformidade aos produtores não é nem realista nem ético.


Outra grande restrição é a distribuição desigual dos custos de conformidade ao longo de cadeias fragmentadas. Segundo Fanny Butler, Senior Head of Markets EMEA da Koltiva, “Não há sustentabilidade sem rastreabilidade — e a demanda só tende a aumentar. Quem se mover primeiro terá vantagem.” Ela enfatizou que arranjos de custos compartilhados entre compradores, fornecedores e parceiros de desenvolvimento estão se tornando a única forma realista de escalar a conformidade em regiões rurais dominadas por pequenos produtores. Fanny acrescentou que a abordagem mais sustentável é a responsabilidade compartilhada: compradores subsidiam a integração, fornecedores mantêm a qualidade dos dados e parceiros de desenvolvimento cofinanciam o mapeamento. Esse modelo colaborativo, observou, reflete o que exportadores líderes já descobriram: o investimento conjunto não é apenas justo, mas essencial para alcançar a conformidade em paisagens agrícolas complexas.

Trazendo uma perspectiva de mercado global, Manfred Borer, CEO e Cofundador da Koltiva, reforçou a necessidade de ação coordenada. “A África Oriental tem os recursos, os ecossistemas produtivos e a demanda global. O que falta agora é prontidão sincronizada. A rastreabilidade não é mais uma iniciativa de nicho. É o preço para participar dos mercados mais valiosos do mundo.” Seu comentário reflete uma mudança mais ampla no setor, à medida que as empresas passam a ver a rastreabilidade não como um centro de custos, mas como um ativo estratégico.

Especialistas concordam que o caminho a seguir exige três esforços simultâneos: ampliar a conscientização regulatória em todos os níveis da cadeia de suprimentos; realizar avaliações na origem para verificar geolocalização e risco de desmatamento; e implantar ferramentas digitais projetadas para condições de campo rurais. Essas etapas não são opcionais; são a base para manter o acesso a mercados premium.


Projeta-se que a África Oriental contribua com 19% do crescimento adicional da produção agrícola global na próxima década (OCDE–FAO, 2025), o que reforça o potencial de longo prazo da região. Mas destravar essa oportunidade depende da rapidez com que exportadores, processadores, cooperativas e governos reduzirem a lacuna de conformidade. Com os mercados globais endurecendo seus requisitos de sustentabilidade, a África Oriental está em uma encruzilhada — um caminho leva à competitividade acelerada; o outro, à redução do acesso a mercados. A escolha, cada vez mais, depende de quão rapidamente a região adota a rastreabilidade digital e uma preparação coordenada.

Sobre a KOLTIVA

Oferecendo tecnologia centrada nas pessoas e soluções com atuação direta no campo que digitalizam o agronegócio e ajudam pequenos produtores a migrar para práticas sustentáveis e abastecimento rastreável, a KOLTIVA é reconhecida como a principal empresa global de agricultura sustentável e rastreabilidade de cadeias de suprimento. Como provedora global de tecnologia, constrói cadeias de suprimento éticas, transparentes e sustentáveis, auxiliando empresas a fortalecer sua resiliência e transparência. A empresa apoia negócios e seus fornecedores no cumprimento de regulamentações e demandas dos consumidores em constante evolução, por meio de soluções de rastreabilidade. Atuando em mais de 94 países e apoiada por uma rede de escritórios de atendimento ao cliente em 21 países, a KOLTIVA está comprometida em apoiar mais de 19.000 empresas na construção de cadeias de suprimento transparentes e robustas, ao mesmo tempo em que capacita mais de 2.000.000 de produtores a aumentar sua renda anual. www.KOLTIVA.com

 

Contatos de Imprensa – KOLTIVA

Daniel Prasetyo

Head de Relações Públicas e Comunicação Corporativa

 
 
 

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